Tendência – Peles sensíveis, tratamento especializado

13/11/2015

assinatura-by-isabel

Olá Profissional de Saúde Estética
Peles sensíveis, irritadas ou sensibilizadas apresentam uma estrutura mais delicada e, portanto, requerem cuidados especiais no dia a dia, não apenas durante a realização de algum procedimento estético que tenha como foco o tratamento de outra alteração, como acne, envelhecimento, manchas, entre outros. E se as peles com essas características necessitam de um tratamento especializado, consequentemente demandam também a utilização de produtos específicos, voltados exclusivamente para essa necessidade.

pele-sensibilizada-buona-vita

Ninguém sabe tão bem os efeitos de uma pele sensível ou sensibilizada quanto quem tem essa característica de pele: ardor, queimação, coceira, descamação, esses são apenas alguns dos sintomas entre os tantos que incomodam quem apresenta essa condição. E não é preciso muito não. Basta uma simples mudança no tempo (um pouco mais de calor, frio, vento), ou mesmo a exposição constante a determinada substância (medicamentos e até mesmo os cosméticos – caso tenham substâncias nocivas ou sensibilizantes – como óleo mineral, parabenos e propilenoglicol, como veremos mais adiante) e já aparecem as alterações em várias partes do corpo, mas principalmente no rosto, que fica mais exposto e tem espessura mais fina da epiderme, portanto, sofre mais consequências.

Justamente por apresentar uma condição tão especial é que a pele sensível (ou sensibilizada, no caso de ter passado por alguma alteração ou lesão, inclusive de procedimentos estéticos, como peeling, microagulhamento, e até mesmo o que pode ser, aparentemente, uma simples limpeza de pele, mas que são procedimento que podem provocar um tipo de lesão ou desencadear um processo inflamatório ou de sensibilização na pele) é que merecem um tratamento especializado.

E como o profissional de saúde estética ou mesmo o consumidor final vai conseguir esse tratamento especializado para as peles sensíveis? Por meio de produtos específicos, é claro. Mas é importante enfatizar que um produto apenas não basta. É preciso uma linha completa. Afinal, estamos lidando com uma condição muito partícula e que requer cuidados personalizados para que possa se restabelecer, recuperando sua condição natural, buscando reforçar sua barreira de proteção fortalecendo com nutrição e hidratação adequadas às necessidades apresentadas pela pele sensível.

Por que uma linha completa? Não basta você ter um bom hidratante se não está limpando essa pele adequadamente, correto? E o pH? Após a limpeza, é preciso buscar o equilíbrio do pH da pele para que ela esteja bem preparada para receber o tratamento e os ativos que vão oferecer toda essa recuperação e fortalecimento da condição de sensibilidade. É um trabalho em sinergia, em que um produto vai complementar o outro.

Sensibilidade e intolerância

pele-rosaceaJustamente por apresentar uma condição de sensibilidade acima do normal, muitas vezes a pele sensível torna-se também “intolerante”, como no caso de alguns cosméticos. Ou seja, além de não suavizarem os sintomas, eles ainda podem potencializar essas características, fazendo com que essas peles se tornem alérgicas, desenvolvendo a chamada síndrome da intolerância a cosméticos. Disfunções na barreira cutânea são uma das causas que facilitam a sensibilização e penetração de alérgenos, provocando a chamada inflamação alérgica.

A dermatite atópica, por exemplo, uma doença inflamatória da pele, de caráter crônico, tem como principal sintoma o prurido, sendo o ato de coçar o responsável por grande parte das lesões. Entre as alergias aos cosméticos, tem-se a síndrome da pele intolerante Constitucional (pele sensível). Ex. telangiectasias e eritrodermia; síndrome da pele intolerante adquirida, como dermatite atópica, psoríase; urticária de contato, em que a reação alérgica é imediata e tem início menos de uma hora após o contato; e a dermatite de contato, que consiste em uma resposta inflamatória da pele à ação de substâncias externas.

Em 80% dos casos costuma ser irritativa e em 20% alérgica, em que nem sempre ocorre no primeiro contato com a substância em questão e pode se desenvolver ao longo de um período de uso, caracterizado como período de sensibilização. O diagnóstico clínico pode ser feito por meio da anamnese (exame físico) e o diagnóstico definitivo, pelo teste de contato, também conhecido por Patch Test. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 30% da população possui algum tipo de alergia. E a expectativa com relação à evolução desse quadro pode ser ainda mais assustadora, já que para a OMD, até o final do século, metade dos habitantes sofrerá com algum tipo de alergia.

Mas será mesmo assim tão assustador? Depende do ponto de vista. Para você profissional que busca sua profissionalização e especialização para atender seu cliente cada vez mais de modo personalizado, esse cenário mostra perspectivas muito positivas. Afinal, essa alteração representa uma grande oportunidade de se destacar no mercado e elevar ainda mais o nome de sua clínica e o seu profissionalismo, atraindo um público diferenciado e que precisa muito desses cuidados e dessa orientação para cuidar de uma questão tão delicada que vai muito além das questões estéticas, influenciando em sua saúde e bem-estar.

Para auxiliar no direcionamento do trabalhado desses profissionais de saúde estética, existe uma lista com um total de 40 substâncias alergênicas com maior prevalência no Brasil, definida pelo Grupo Brasileiro de Estudos em Dermatite de Contato a partir de análises estatísticas de um conjunto de substâncias com potencial alergênico. Nessa lista, estão o formaldeído, parabenos, propilenoglicol, imidazolidinil urea, óleo mineral, parafina, todos amplamente presentes em muitas formulações cosméticas no mercado, por isso a importância de o consumidor estar atento a formulações seguras, como as bases biocompatíveis.

O que evitar

oleo-mineralPara evitar esse risco aumentado de sensibilização, os cosméticos devem ter bases biocompatíveis e serem livres dessas substâncias apontadas como de grande potencial alergênico. O óleo mineral, derivado do petróleo, não possui valor nutritivo, não é absorvido pela pele e não promove hidratação, pelo contrário, tem ação comedogênica. Além de estar relacionado a dermatite (30% dos casos) existem na literatura vários artigos que comprovam os malefícios do óleo mineral. Indivíduos constantemente expostos a ele, como os profissionais de saúde estética, foi comprovado que possuem uma maior predisposição de apresentarem o anticorpo fator reumatoide positivo, que está relacionado a várias doenças de caráter reumático, com risco aumentado de desenvolver artrite reumatoide.

O risco é ainda maior quando o indivíduo possui um genótipo que favorece a predisposição e quando é exposto simultaneamente a outros agentes ambientais (fatores epigenéticos) que induzem artrite reumatoide. Para identificar a presença do óleo mineral em um produto verifique sempre a descrição completa da formulação dos ingredientes no rótulo. Se constarem as palavras mineral oil, paraffin oil ou paraffinum liquidum (petrolato), o produto terá sua eficácia diminuída, pois contém óleo mineral, agente notadamente tamponante.

Os parabenos apresentam alto risco de reação alérgica. Além disso, estudos mostram que além de potencial estrogênico, apresentam ação uterotrófica, ou seja, pode apresentar efeitos tóxicos sobre o sistema endócrino interferindo com a regulação hormonal e o sistema reprodutor. O Ministério da Saúde já associa a ação hormonal do estrogênio também ao câncer de mama. Para identificar a presença desse componente procure na formulação por: methylparaben, propylparaben, ethylparaben, isobutylparaben, butylparaben, benzylparaben e isopropylparaben. Algumas opções de conservantes já adotadas pelo mercado são o phenoxyethanol, methylisothiazolinone, caprylyl glycol, potassium sorbate, entre outros.

Outra substância nociva para o organismo que é constantemente encontrada em cosméticos é o propilenoglicol. Possui grande capacidade alergênica e irritativa, além de ser o responsável por desencadear reações cutâneas como dermatite de contato irritativa, dermatite de contato alérgica, urticária de contato e irritação subjetiva. Quando ocluídos, os cosméticos contendo propilenoglicol têm suas capacidades irritativas aumentadas.

Os formaldeídos e liberadores de formol são outra classe de substâncias prejudiciais para a saúde. São altamente capazes de induzir reações alérgicas, principalmente em pessoas constantemente expostos a essas substâncias como esteticistas, massagistas, cabeleireiros, entre outros. Recomenda-se evitar principalmente a presença de quartenium, diazolidinil urea, imidazolidinil urea e DMDM hidantoin.

Cosméticos Ideais

cremeQuando for escolher seus cosméticos, prefira linhas especialmente desenvolvidas para atender as necessidades das peles sensíveis. Um diferencial que o mercado oferece é o exclusivo HDNR System, que possibilita hidratação, dessensibilização, nutrição e recuperação, fortalecendo a capacidade natural de proteção da pele. Outro ponto importante é quanto à presença de ingredientes naturais e com certificação orgânica, uma proposta dentro da tendência de Produtos Verdes, ecologicamente corretos. Mas o consumidor deve estar atento e verificar se o cosmético possui as certificações que dão essa garantia, como a IBD – Instituto Bio Dinâmico (Inspeções e Certificações Agropecuárias e Alimentícias) única certificadora 100% brasileira com atuação internacional. Dessa forma, com certeza as peles sensíveis ou sensibilizadas encontrarão o tratamento ideal para restabelecer paulatinamente suas condições ideais, de maneira eficaz e duradoura.

Referências bibliográficas consultadas
BAUMANN, Leslie. Dermatologia Cosmética – Princípios e Prática. Livraria e Editora Revinter, Rio de Janeiro, 2004.
FANDOS, Dr. Luis S. Alta-cosmética II, Fundamentos de cosmética. 1ª ed., Buenos Aires, 2004.
COSTA, A., ALVES, G.,AZULAY-ABULAFIA, L. Dermatologia e Gravidez. 1ª ed. Rio de Janeiro, 2009.
NEVES, Kátia. Beleza Ecologicamente correta. Cosmetics & toiletries. Brasil, vol. 22, set-out 2010.
www.ibd.com.br
www.ecocert.com.br
Organização Mundial da Saúde – OMS.

isabel-piatti-03 Isabel Piatti – Profissional Aisthesis. Técnica em Estética. Graduada em Tecnologia de Estética e Imagem Pessoal. Especialista em Cosmetologia. Especialização em Escolas de Estética e Terapias Alternativas na Europa, na área Facial, Corporal e Bem-Estar. Palestrante no VI Congresso Mundial de Medicina Estética da IAAM/ASIME, 2009, em São Paulo. Palestrante no 8° Congresso Internacional de Medicina Estética e Cirurgia Cosmética em Guaiaquil, Equador, em 2011. Palestrante em Congressos de Estética e Cosmetologia pelo Brasil. Diretora de Treinamentos da Buona Vita Cosméticos. Coordenadora do Departamento de P&D da Buona Vita Cosméticos. Consultora técnica de revistas e sites da área de Beleza e Estética. Autora do Livro ‘Biossegurança Estética & Imagem Pessoal – Formalização do Estabelecimento, Exigências da Vigilância Sanitária em Biossegurança’ e   ‘Gestantes: Cuidados Estéticos Durante a Gravidez’. isabel@buonavita.com.br