Por que usar óleo vegetal?

16/02/2016

Muito tem se falado sobre os benefícios dos cosméticos de bases biocompatíveis. Mas quem não trabalha diariamente neste universo, por muitas vezes, pode não entender a importância da escolha de cosméticos fabricados com óleos vegetais, sem a presença dos óleos minerais e outros ativos nocivos. Hoje você vai entender um pouco mais sobre esses tipos de óleos e sobre o uso de alguns deles e seus benefícios para a pele e a saúde como um todo.

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Por que não usar óleos minerais

Por ser uma matéria prima mais barata, o óleo mineral é muito utilizado como base para produtos cosméticos, mas o seu uso pode causar danos à pele, como o tamponamento dos poros, que desencadeia ações comedogênica e acneica. Também obstrui as glândulas de excreção da pele, favorecendo disfunções da camada ácida do tecido. Derivadas do petróleo, estas substâncias repelem a água e impedem a absorção de outros ativos de base hídrica. Além disso, estudos apontaram o óleo mineral como potente agente causador de artrite, artrose e dermatite de contato, representando risco para o cliente final e, principalmente, para o profissional de saúde estética, que está em constante contato com o produto. Além disso, há a preocupação com a sustentabilidade, já que um único litro de óleo mineral descartado na natureza pode contaminar um milhão de litros de água.

Vantagens do óleo vegetal

 Os óleos vegetais exibem três grandes benefícios para a pele: induzir ou aumentar a emoliência, gerar oclusividade e repor os ácidos graxos essenciais.

Emoliência é a capacidade de conceder maciez, suavidade e flexibilidade à pele, mantendo essas condições por algum tempo. Isso ocorre porque os lipídeos penetram na epiderme e sua presença modifica suas propriedades físicas.

Oclusividade é a capacidade de uma substância formar um filme na superfície cutânea, interferindo na evaporação de água desta superfície com o ambiente. A oclusividade ajuda a aumentar a água disponível na epiderme, aumentando com isso, a viscoelasticidade do estrato córneo, deixando a pele mais flexível.

O conteúdo de ácidos graxos nos óleos vegetais é um fator importante para sua aplicação em produtos para tratamento da pele. A falta de ácidos graxos essenciais nos seres humanos causa dois efeitos na pele: descamação e hiperplasia do epitélio, causando queratose.

Por sua semelhança estrutural ao manto hidrolipídico da pele, os óleos vegetais reagem melhor com o tecido e permitem que tanto a água, como outros princípios ativos existentes nos cosméticos aplicados sejam bem absorvidos.

Extraídos principalmente das sementes de plantas e frutas, os óleos vegetais aumentam a proteção da pele contra a perda excessiva de líquidos, permitem a respiração cutânea e assimilam a luz solar. Também auxiliam o restabelecimento de peles rachadas e ressecadas, normalizando e reforçando a estrutura do tecido. Ao contrário dos óleos minerais, os de origem vegetal causam menos reações citotóxicas e alérgicas e, finalmente, possuem outra característica também muito importante: são biodegradáveis, não poluem e nem agridem o meio ambiente. Os óleos vegetais podem levar até 28 dias para se decompor, sem agredir a natureza.

Para os profissionais da saúde estética, eles oferecem a mesma facilidade de deslizamento para massagem que os cremes à base de óleo mineral, com a vantagem de apresentar maior permeabilidade dos ativos, conforto e segurança para o profissional que não precisará de tantas manobras, propiciando menor desgaste físico nas atividades diárias, com melhores resultados e muito mais qualidade.

– Óleo de Melaleuca: possui potentes propriedades antissépticas. O amplo espectro de ação antibacteriana e a atividade antifúngica potente que apresenta, fazem do óleo de melaleuca um ativo com uma gama imensa de aplicações.

 – Óleo de Rosa Mosqueta: Possui forte poder regenerador dos tecidos. É de grande utilidade para o tratamento dermatológico de cicatrizes antiestéticas, hipertróficas e hipercrômicas derivadas de traumatismos, cirurgias ou queimaduras, cicatrização, feridas mamilares, queloides, assaduras, ulcerações, psoríase e ictiose. Empregado para atenuar rugas e linhas de expressão, hidratar a pele, prevenir o envelhecimento e o desenvolvimento de estrias na gravidez. Se destaca entre os demais óleos por ser um óleo vegetal de características únicas, possuindo em sua composição quase 80% de ácidos graxos poli-insaturados, os chamados ácidos graxos essenciais ou ômegas.

 – Óleo de semente de uva: O alto teor de ácido linoleico – um dos ácidos graxos encontrados em maior concentração também nas glândulas da pele e sebo humano – é responsável pela grande afinidade deste óleo com a pele, conferindo propriedades nutritivas, emolientes, amaciantes, protetora dos tecidos, melhorando a flexibilidade e elasticidade da pele e auxiliando também nos tratamentos contra estrias e rugas.

 – Óleo de Canola: rico em ácidos graxos, excelente emoliente, ótimo para peles ressecadas e com descamação.

– Óleo de Monoi: o óleo de monoi é feito a partir da maceração das flores de Tiaré no óleo de coco. Este óleo é um potente hidratante, tanto para a pele quanto para os cabelos. Também possui propriedades suavizantes, calmantes e purificantes. Por se tratar de um óleo vegetal, é rico em ômegas, que favorecem a nutrição e renovação celular.

– Óleo de Maracujá: Possui substâncias relaxantes, a passiflorina, com aroma que reduz a ansiedade, melhora o sono, diminuindo o estresse e o cansaço em geral. O fruto é rico em vitaminas A e C e minerais como cálcio, ferro e fósforo.

– Azeite de Oliva: É o único tipo de gordura que não interfere na produção da lipase, enzima que dilui as moléculas de gordura; facilita a digestão, contribui para a manutenção correta da tensão sanguínea, diminui os riscos de artrite reumatoide; aumenta as defesas naturais do organismo contra vírus e bactérias e melhora a elasticidade dos tecidos.

– Óleo de Girassol: As sementes do girassol têm, em seu óleo, ácido oleico e grande abundância de ácidos graxos insaturados, especialmente o ácido linoleico. São, além disso, muito ricas em proteínas e vitamina E. Este óleo está ganhando cada vez mais espaço na indústria de cosméticos por causa de suas propriedades antioxidantes.

– Óleo de Soja: Numerosos estudos clínicos e epidemiológicos já comprovaram a importância nutricional da soja para a saúde. Com baixa taxa de gorduras saturadas, o óleo extraído dessa leguminosa é uma excelente fonte de ácidos graxos essenciais e dermocompatíveis que restauram camada protetora da pele: 55% de ácido linoleico, 7% de ácido linolênico e 24% de ácido oleico.