Cosméticos Veganos – Respeito ao consumidor e ao meio-ambiente

11/03/2016

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 assinatura-by-isabel

Olá profissionais da Saúde Estética. A onda sustentável já chegou no mercado de cosméticos faz tempo, da qual fazem parte os cosméticos com bases biocompatíveis, livres de substâncias nocivas ao consumidor e ao meio-ambiente, além de compatível com a pele para melhor absorção dos ativos. Agora é a vez das formulações livres de componentes de origem animal crescerem e ganharem espaço e destaque. Esses produtos, que também são livres de testes em animais, são os chamados cosméticos veganos. E eles têm conquistado não apenas os adeptos desse estilo de vida. Entenda mais sobre esses cosméticos a seguir.

Vivemos em um país em que o uso de cosméticos é tão disseminado que o coloca como o terceiro maior mercado consumidor desse tipo de produto no mundo todo. Mas de nada adianta cuidar da beleza e saúde do corpo, se não há cuidado e preocupação com o planeta. É por isso que a onda dos cosméticos ecologicamente corretos cada vez está mais em evidência, embora não seja novidade para muitos consumidores, já que há muito tempo algumas marcas vêm investindo nesse segmento. Também chamados de cosméticos verdes e cosméticos sustentáveis, eles dão prioridade para matérias-primas sustentáveis, naturais e em alguns casos, até ingredientes orgânicos, banindo de vez componentes que possam oferecer algum risco para a saúde do consumidor que utiliza, do profissional de saúde estética que faz a aplicação e muitas vezes está o dia todo em contato constante com o produto, e também que ofereçam algum tipo de nocividade ao meio ambiente.

cosmeticos-veganos02E ao analisar as tendências de mercado, vemos que uma nova característica tem ganhado corpo entre a preferência dos consumidores, são os chamados cosméticos veganos, que trazem composição livre de ingredientes de origem animal, bem como a não utilização dos mesmos em toda a cadeia produtiva, incluindo a não realização de testes neles, ampliando assim a responsabilidade das marcas que assumem uma postura de respeito à vida animal, à preservação do planeta e, acima de tudo, respeito aos consumidores. E os adeptos da causa “cruelty-free” – livre de crueldade – não são os únicos clientes potenciais para esse tipo de produto, cuja uma forma de ser identificado já pelas embalagens é a presença do selo “eco-friendly” – amigavelmente ecológico. A preocupação com a saúde aliada ao ético e sustentável é cada vez mais frequente. Há ainda os consumidores que não utilizam esses produtos por questões culturais, como a religiosidade, por exemplo. Se uma empresa atua para o mercado global, também é importante que tenha em mente esses aspectos para o desenvolvimento e comercialização dos produtos.

creme lipotermicoE, para o consumidor, vale sempre o alerta de estar atento às embalagens não só pela presença de selos ou dizeres “veganos”, mas acima de tudo pela composição. É importante pesquisar, conhecer os termos e fazer ele próprio a conferência na formulação, pois é um nicho de atuação que ainda necessita de regulamentação, bem como de melhoria na atuação de órgãos competentes específicos para esse tipo de certificação. Ou estará correndo o risco de comprar produtos que se dizem livres de determinado componente, sem realmente fazê-lo. Uma forma de conferir se a empresa não testa em animais é acessando o site da Entidade Ambiental PEA (Projeto Esperança Animal), onde é possível encontrar uma lista de empresas nacionais que não realizam esse tipo de teste. http://www.pea.org.br/crueldade/testes/naotestam.htm

Em alguns casos, a substituição de ingredientes de origem animal, bem como de componentes não sustentáveis, exige um grande investimento, tanto em pesquisa quanto no próprio custo da matéria-prima, mas sem dúvida é um custo-benefício que vale a pena, não só para as empresas como para os próprios consumidores, que também contam com as vantagens no uso de um produto com essas características, evitando a toxidade dos xenobióticos, outro tema que está em alta no mercado de cosméticos, e que nada mais são do que substâncias consideradas estranhas ao organismo e que apresentam algum efeito prejucial quando em excesso no corpo.

oleo vegetal_14454682As formas com que os xenobióticos se apresentam em nosso dia a dia são as mais diversas possíveis, mas nos cosméticos os compostos mais comuns são: o óleo mineral, parabenos, propilenoglicol e conservantes liberadores de formol. Estudos mostram que cosméticos contendo óleo mineral podem contribuir para a artrite reumatoide principalmente em indivíduos que possuem genótipos específicos que levam à predisposição e nos que são expostos simultaneamente a outros agentes ambientais que induzem artrite reumatoide.

Quanto aos parabenos, em uma análise com 8 produtos cosméticos contendo essa substância, 6 apresentaram atividade estrogênica, ou seja, se comporta no organismo como se fosse o próprio estrogênio, que está ligado a problemas hormonais que podem levar a alterações no ciclo menstrual, fertilidade, nos ovários, início da puberdade, cânceres de origem hormonal e ainda interferir no desenvolvimento de alterações inestéticas como manchas (hipercromias), celulite e acne.

Já o propilenoglicol altera a camada de proteção da barreira cutânea, criando falhas em sua permeabilidade, o que faz com que outros agentes químicos possam penetrar mais profundamente na pele, aumentando a toxidade pela maior quantidade que chega na corrente sanguínea. Com isso as exposições contínuas ao propilenoglicol aumentam as chances de sensibilização e ocorrência de dermatites. Os liberadores de formol, por ainda conterem resíduos de formaldeído livre, são agentes potencializadores de causar alergia de contato e sensibilização.

Por isso, olho atento ao rótulo sempre! Sejam naturais, orgânicos, veganos, sustentáveis ou ecologicamente corretos, verifique sempre a composição de seu cosmético e de quais substâncias nocivas ele está livre.

isabel-piatti-03 Isabel Piatti – Profissional Aisthesis. Técnica em Estética. Graduada em Tecnologia de Estética e Imagem Pessoal. Especialista em Cosmetologia. Especialização em Escolas de Estética e Terapias Alternativas na Europa, na área Facial, Corporal e Bem-Estar. Palestrante no VI Congresso Mundial de Medicina Estética da IAAM/ASIME, 2009, em São Paulo. Palestrante no 8° Congresso Internacional de Medicina Estética e Cirurgia Cosmética em Guaiaquil, Equador, em 2011. Palestrante em Congressos de Estética e Cosmetologia pelo Brasil. Diretora de Treinamentos da Buona Vita Cosméticos. Coordenadora do Departamento de P&D da Buona Vita Cosméticos. Consultora técnica de revistas e sites da área de Beleza e Estética. Autora do Livro ‘Biossegurança Estética & Imagem Pessoal – Formalização do Estabelecimento, Exigências da Vigilância Sanitária em Biossegurança’ e   ‘Gestantes: Cuidados Estéticos Durante a Gravidez’. isabel@buonavita.com.br