Prontuário Estético: Tipos de Gordura e Flacidez

06/05/2016

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Olá profissionais da Saúde Estética. Muitos profissionais têm me procurado para esclarecer dúvidas sobre como identificar a gordura e flacidez para preenchimento do Prontuário de Avaliação Corporal (PAC), que é super importante antes de iniciar qualquer tratamentos estético. Por isso trouxemos para você, profissional de saúde estética, algumas informações técnicas e dicas práticas com relação a avaliação da gordura (lipodistrofia) e flacidez (hipotonia) para facilitar a realização do PAC e consequente indicação especializada e personalizada de tratamento estético para o grau da alteração estética em questão. Acompanhe.

A gordura e a flacidez estão entre as principais alterações inestéticas corporais que acometem os clientes que procuram atendimento nas clínicas de estética para se verem livres do problema. E, para um tratamento completo e diferenciado dessas alterações, nada melhor do que oferecer um tratamento estético personalizado, baseado em genética e epigenética, de acordo com as particularidades e necessidades de cada pessoa para resultados ainda mais satisfatórios.

Por isso é muito importante que o profissional de saúde estética conheça bem o histórico de vida do cliente, incluindo seus costumes e rotinas atuais, afinal, tanto a genética quando a epigenética (ação dos meios e hábitos de vida), interferem no aparecimento e também no tratamento das alterações estéticas. E, para reunir essas informações em um só lugar, é realizado o prontuário estético, que irá embasar todo o tratamento.

No quadro para avaliação clínica, deve ser levada em consideração a análise da flacidez (do tipo moderada – fase elástica / intermediária – fase de flutuação / avançada – fase plástica) e a gordura (lipodistrofia localizada – de característica túrgida, dissociada ou lipoedema) nas regiões de braços, dorso, flancos, glúteos, coxas e abdômen, sendo que no abdômen há ainda a classificação para o tipo de lipodistrofia (visceral, subcutânea ou mista). Vamos entender melhor essas nomenclaturas técnicas?

GORDURA – LIPODISTROFIA

Durante o desenvolvimento embrionário existe a formação de dois tipos de tecido adiposo, um caracterizado por adipócitos preenchidos por uma gota única de gordura, chamado de adipócito unilocular, que se distribui acima da fáscia muscular e abaixo da derme, responsável pelo relevo e preenchimento do tecido; e o outro caracterizado por uma célula com muitas mitocôndrias e gotículas de gordura, chamado de adipócito multilocular, que se distribui entre as vísceras e a parede muscular do abdômen, responsável pela termogênese corporal.

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Quanto ao tecido adiposo branco, sabe-se que seus mecanismos de lipólise podem ser estimulados por ativos cosméticos e recursos eletroterápicos lipolíticos, justamente por se tratar de um tecido subcutâneo a que o profissional de saúde estética tem fácil acesso. Já o tecido adiposo pardo se encontra abaixo da parede muscular abdominal, o que torna inviável a utilização das mesmas técnicas de lipólise utilizadas no tecido adiposo branco. Nesse caso é necessário estímulo de termogênese e sem associação com reeducação alimentar e atividade física. Diferentemente do tecido adiposo branco, dificilmente é possível ter resultado de redução no tecido adiposo pardo. Há casos ainda, onde no mesmo indivíduo é possível perceber depósito de gordura subcutânea e visceral, que chamamos de maneira simplificada de gordura/lipodistrofia mista.

Quando se trata de lipodistrofia localizada (subcutânea) ainda temos possibilidades de diferenciação de acordo com a característica da deposição de gordura e do tecido conjuntivo. Podemos encontrar a lipodistrofia túrgida ou campacta, que é caracterizada por um tecido endurecido e entumescido, de difícil palpação, geralmente dolorosa e com pouca mobilidade. Já a lipodistrofia dissociada é caracteristicamente descompactada, com aparência acolchoada, de fácil palpação e com mobilidade. Além disso, também encontramos o lipoedema, que é caracterizado por seu aspecto celulítico, entretanto trata-se de lipodistrofia localizada e alteração venolinfática, responsáveis por conferirem à pele características de edema e ondulações.

FLACIDEZ – HIPOTONIA

A flacidez de pele ou hipotonia tissular é uma alteração inestética bastante difícil de se tratar. É resultado de fatores genéticos e epigenéticos, como o envelhecimento, períodos de emagrecimento e engorde “efeito sanfona”, gestações, sol, má alimentação com consumo exagerado de carboidratos e açúcares, tabagismo, entre outros. A flacidez tissular é um termo que se refere à qualidade ou estado flácido tecidual, isto é, tecido frouxo e que pode estar ou não associada a uma flacidez muscular. Na flacidez tissular, a pele perde a sua elasticidade e, com isso, o aspecto inestético é inevitável.

A avaliação é feita pela inspeção visual, pois o tecido apresenta dobras e vincos. É por meio de pinçamento que se pode perceber a diminuição da tensão e consistência do tecido dérmico. É preciso fazer o “teste de prega”, uma manobra que consiste em fazer uma prega com os 3 primeiros dedos da mão, abrangendo uma boa quantidade de tecido. Segure a prega por uns 3 segundos e solte, observando o tempo para retorno à configuração de repouso. Se demorar muito para voltar à normalidade, há flacidez.


A hipotonia cutânea apresenta fases e pode ser classificada em:

Fase Elástica: Lei de Hooke, ou seja, a tensão é diretamente proporcional à habilidade do tecido em resistir à carga. Nesta fase, quando o tecido for submetido a uma tensão, apresentará resistência. Voltará ao normal quando a carga for retirada.

Fase de Flutuação: Com a carga mantida, o estiramento continua e tende a um limite ou valor de equilíbrio. Nesta fase ocorrem alterações nas cadeias de carbono, portanto, se a carga a que o tecido foi submetido for retirada, não voltará à configuração inicial.

Fase Plástica: Nesta fase ocorre uma deformação permanente no tecido, ou seja, se o tecido passar do seu limite de elasticidade, esta deformação torna-se permanente. O tecido já apresenta queda.

Ponto de Ruptura: Depois de um estiramento total, o organismo tentou reverter e não conseguiu. Neste caso, já há instalação de estrias, outro problema estético. É como se um pano fosse esticado até o máximo e não aguentasse a força – e como consequência haveriam “rasgos”.

Para baixar o arquivo completo do PAC (Prontuário de Avaliação Corporal), clique no link abaixo:
http://www.ciabv.com.br/_upload/artigos_arquivos/223/ead48c823cd89d9151b65dbf7eb2523f.pdf

Com certeza quanto mais a fundo você conhecer a alteração estética,
mais fácil será traçar o tratamento personalizado ideal para cada cliente,
com os melhores ativos para alcançar resultados muito mais satisfatórios.

 

Referências Bibliográficas
BONELLI, L. “Aspecto Celulítico”: rompendo paradigmas. Revista Negócio Estética, 2013.
GARDIN, D. D; CIECKOVICZ, D. B. Proposta fisioterapêutica para flacidez na região posterior do braço: associação da corrente russa e da radiofrequência. Revista Kinesia, Belo Horizonte, n.4, p.19-25, fev. 2011.

GUIRRO, E. C. O; GUIRRO, R. R. J. Fisioterapia dermato-funcional: 3a ed. São Paulo, Manole, 2004.
KEDE, M. P. Dermatologia Estética. São Paulo: Ateneu, 2004.
PEREIRA, Maria de Fátima Lima. Recursos Técnicos em Estética. Vol. II. Série Curso de Estética. São Paulo. Difusão Editora. 2013

 

 isabel-piatti-03 Isabel Piatti – Profissional Aisthesis. Técnica em Estética. Graduada em Tecnologia de Estética e Imagem Pessoal. Especialista em Cosmetologia. Especialização em Escolas de Estética e Terapias Alternativas na Europa, na área Facial, Corporal e Bem-Estar. Palestrante no VI Congresso Mundial de Medicina Estética da IAAM/ASIME, 2009, em São Paulo. Palestrante no 8° Congresso Internacional de Medicina Estética e Cirurgia Cosmética em Guaiaquil, Equador, em 2011. Palestrante em Congressos de Estética e Cosmetologia pelo Brasil. Diretora de Treinamentos da Buona Vita Cosméticos. Coordenadora do Departamento de P&D da Buona Vita Cosméticos. Consultora técnica de revistas e sites da área de Beleza e Estética. Autora do Livro ‘Biossegurança Estética & Imagem Pessoal – Formalização do Estabelecimento, Exigências da Vigilância Sanitária em Biossegurança’ e   ‘Gestantes: Cuidados Estéticos Durante a Gravidez’. isabel@buonavita.com.br