Proteção solar – Exposição nas primeiras décadas de vida

11/11/2016

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Olá profissionais da Saúde Estética, usar filtro solar é mais do que uma dica ou conselho, é uma recomendação muito séria. Há uma estimativa da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) de que pelo menos 80% dos melanomas são causados pela exposição ao Sol, sendo o mais frequente no mundo todo: cerca de 3 milhões de casos diagnosticados anualmente. Muitos ainda não sabem, mas o efeito do sol, na pele, tem efeito cumulativo e a exposição excessiva, principalmente nas duas primeiras décadas de vida aumenta o risco de desenvolver câncer de pele, sendo essa fase bastante vulnerável aos efeitos nocivos do sol.

Use filtro solar. É assim que começo meu texto de hoje. Essa recomendação é tão importante que não é uma dica apenas minha. Ela frequentemente é dada por vários profissionais de saúde estética, seja você homem ou mulher, novo ou mais experiente, alguém com pele íntegra ou que sofre com alguma alteração inestética. Alguns, inclusive, vão lembrar que um tempo atrás, lá pelo ano de 1999, um vídeo que parece daqueles do tipo de autoajuda, ficou famoso após literalmente viralizar na rede, e que trazia exatamente esse conselho.

A versão original, em inglês, produzida pela agência DM9DDB, intitulada de “Sunscreen”, se transformou, no mesmo ano, no texto “Wear Sunscreen” (“Use filtro solar” – em português). Embora a mensagem em si não seja sobre recomendações estéticas e sim sobre um estilo de vida mais leve, ela começa assim: “Nunca deixem de usar o filtro solar. Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: usem o filtro solar! Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência. Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.”

A mensagem em si não é nosso foco de análise, mas quem escreveu a introdução, sabia muito bem do que estava falando. Uma estimativa da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) mostra que pelo menos 80% dos melanomas são causados pela exposição ao Sol, sendo o mais frequente no mundo todo: cerca de 3 milhões de casos diagnosticados anualmente. Muitos ainda não sabem, mas o efeito do sol, na pele, tem efeito cumulativo e a exposição excessiva, principalmente nos primeiros 10/20 anos de vida, aumenta o risco de desenvolver o câncer de pele, sendo essa fase bastante vulnerável aos efeitos nocivos do sol.

O INCA (Instituto Nacional do Câncer) também tem como base a premissa de que, entre os fatores de risco conhecidos para o câncer de pele, estão as exposições de longa duração, sendo boa parte delas nas duas primeiras décadas de vida, sejam elas a exposição sem proteção ou com proteção inadequada. O que leva o número de queimaduras devido à exposição solar na infância e na adolescência estar associado ao aparecimento de melanoma cutâneo na vida adulta. Alguns especialistas afirmam que 70% a 80% da ação maléfica da radiação se dão nesse período inicial da vida. Isso mostra o papel dos pais como fundamental no desenvolvimento de hábitos de proteção contra o Sol, tanto pela instrução quanto pelo próprio exemplo ativo. Mas na verdade todas as pessoas que se expõem ao sol de forma prolongada, frequente e sem os devidos cuidados fazem parte de um grupo com maior risco de desenvolver a doença ao longo da vida, justamente pela ação que se acumula com o decorrer do tempo.

Por isso a recomendação “use o filtro solar” é tão importante e repetida exaustivamente por nós, profissionais de saúde estética. Ainda assim, mesmo para aqueles que usam regularmente o filtro solar quando vão se expor ao sol, reforço a minha orientação com um questionamento: o seu produto protege contra a luz visível? A chamada luz visível é aquela emitida por lâmpadas, pela tela do computador, TV, tablet e celular, por exemplo, além de incluir a claridade que entra pela janela, mesmo quando não estamos expostos ao ar livre, pois ela também faz parte das radiações emitidas pelo sol e ele está lá todos os dias, mesmo quando o céu está mais nublado. Esse tipo de luz também pode ser considerada prejudicial para a pele no que se refere ao aparecimento de alterações inestéticas como manchas e envelhecimento, pois ela também interfere na produção de radicais livres, acelerando o processo de oxidação. E hoje estamos cada vez mais expostos também a esses fatores, inclusive nossas crianças, adolescentes e jovens, estão em constante contato com a luz visível, muito mais do que alguns anos atrás.

E, embora as duas primeiras décadas de vida sejam apontadas como uma fase crítica, é importante a conscientização sobre os bons hábitos em todas as idades, afinal, os efeitos da exposição ao sol são cumulativos e com uma expectativa de vida crescente, essa se torna uma preocupação cada vez mais constante, não só pelo risco de câncer mas também com relação a outras alterações, como o envelhecimento, surgimento de manchas, perda de elasticidade e firmeza, aumento na espessura da pele, redução de agentes antioxidantes que ajudam a combater os radicais livres, e danos ao DNA celular. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, os casos de câncer não melanoma por volta dos 70 anos de idade tem aumentado, chegando a mais de 50% dos casos nessa fase, isso em consequência do avanço na expectativa de vida, mas podem aparecer em qualquer idade.

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Por isso não se deixe enganar. Mesmo que você seja mais novo e sua pele não pareça ter visivelmente nenhum desses sinais prejudiciais, em muitas pessoas os danos só vão aparecer depois dos 40 anos de idade, período em que o próprio envelhecimento cronológico se torna mais crítico. Por isso a informação sobre como se deu a exposição ao sol nas primeiras décadas de vida é muito importante durante a realização do Prontuário Estético, ou Anamnese, como ainda é chamado por alguns, antes de se iniciar todo tipo de tratamento estético. Afinal, mesmo que ainda não possam ser vistos, a ação do sol já se deu e está lá, agindo ao longo dos anos e determinando como será a pele da pessoa no futuro.

Estética Humanizada

Apesar do câncer de pele, que tem na exposição solar seu principal fator de risco, ser o mais comum, sua chance de cura pode chegar a 90%. A detecção precoce se baseia justamente na premissa de que quanto mais cedo for diagnosticado, maiores as chances de cura, sobrevida e qualidade de vida do paciente. E a abordagem dos indivíduos com a doença também passa pelos conceitos que creditamos à Estética Humanizada, ou seja, de acolher levando em consideração as diversas dimensões envolvidas, como o sofrimento físico, espiritual e psicossocial, buscando tratar a doença, mas preservando a qualidade de vida. Afinal, as pessoas devem ser vistas como sujeitos, na singularidade de sua história, anseios e expectativas.

Vai se expor ao sol? Siga nossas dicas:

Embora o verão só comece oficialmente no dia 21 de Dezembro, muitas regiões brasileiras já estão enfrentando dias ensolarados e temperaturas elevadas, enquanto para outras essa realidade se dá em boa parte do ano. Mas é inegável que o verão traz consigo períodos super convidativos para que as pessoas passem bons momentos desfrutando do sol, acompanhados ou não de praia, piscina ou mesmo um passeio no parque, já que não são somente as pessoas que estão em férias, viagens ou passeando que precisam de cuidados com a pele para protegê-la dos efeitos nocivos do sol.

O primeiro passo é evitar a exposição exagerada e no horário considerado mais agressivo para os raios solares, que é entre as 10 e 16 horas. A segunda indicação é se proteger, usando chapéu ou boné, óculos escuros, entre outros acessórios que ajudem a cobrir áreas expostas e sensíveis. Além disso, fazer uso de protetor solar é essencial. Mas de nada adianta se os fotoprotetores não forem adequados ou aplicados da maneira correta, ou a falsa sensação de proteção pode ser ainda mais prejudicial. A escolha dos produtos deve sempre levar em conta a segurança da formulação, sendo livre de substâncias nocivas, como o propilenoglicol, que é sensibilizante, e os parabenos que, além de alergênicos, têm ação semelhante à do hormônio feminino estrogênio, que em alguns casos está diretamente ligado ao desenvolvimento de algumas alterações inestéticas, como as manchas, por exemplo. A presença de substâncias liberadoras de formol, como DMDM Hidantoin e Imidazolidinil Urea, também é contraindicada, pois a presença do sol/calor, potencializa sua ação nociva na pele.

E, para garantir que a pele esteja realmente protegida dos efeitos nocivos dos raios solares, que estão comprovadamente cada vez mais fortes, é preciso que haja três tipos de proteção: a química, a física e a biológica. Os protetores solares mais comuns e populares disponíveis no mercado costumam contar apenas com a proteção química que, em virtude do suor e outras ações, pode desestabilizar os ativos.

A proteção física trabalha a reflexão, dessa forma, é criada uma barreira (como se fosse uma parede de tijolos) que reflete a radiação UVA e UVB.  Já a função química realiza a absorção da radiação e não permite que ela ultrapasse a epiderme. Neste caso, essa proteção não deixa que a parte nociva dos raios solares penetre na pele. O ideal é utilizar o filtro solar que consegue proteger tanto na absorção, quanto na reflexão, associados no mesmo produto, para que se tenha a garantia de que os raios não vão passar. Muitas vezes, hábitos como aplicação inadequada do protetor ou falta de reaplicação a cada duas horas permitem que alguma das radiações UVB ou UVA penetrem na pele.

Quanto à proteção biológica, a presença de ativos antioxidantes é essencial para reforçar a proteção da pele. Através dessa proteção é possível combater esses ‘invasores’, em uma espécie de reparo imediato das agressões, impedindo a oxidação celular causadora de fotodanos como manchas e flacidez. É importante também destacar que as pesquisas recentes comprovam que a luz visível (a luz artificial do escritório, de dentro de casa, a tela do computador, da TV, etc.) também é nociva à pele, portanto, é essencial usar sempre filtro solar, estando atento principalmente se os produtos contam com ativos específicos que ofereçam todos os tipos de proteção, inclusive o da luz visível. É importante que o consumidor esteja sempre atento à rotulagem para conhecer bem a composição de ativos que fazem parte da fórmula do produto, evitando os que são nocivos e buscando essencialmente pelos que ofereçam o cuidado ideal de acordo com os benefícios de cada tipo de proteção.

Lembre-se: uso do fotoprotetor diariamente é essencial mesmo em ambientes fechados ou dias nublados. Nada de passar o produto só quando vai se expor ao sol, ao ar livre. Além disso, trabalhadores que se expõem com frequência ao sol, merecem cuidado redobrado quanto à proteção.

Este material é de autoria de Isabel Luiza Piatti e está protegido sob a Lei de Direitos autorais. A sua reprodução total ou parcial é permitida, desde que na sua forma original sem qualquer tipo de adulteração ou alteração, sendo obrigatório a citação do nome do autor, sua obra e fonte de veiculação. O descumprimento destas condições ensejará ao infrator as penalidades cíveis e criminais cabíveis.

Referências Bibliográficas

Instituto Nacional de Câncer (INCA) – Ministério da Saúde, 2006. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/situacao_cancer_brasil.pdf

https://www.portaleducacao.com.br/cotidiano/artigos/38146/os-riscos-da-exposicao-excessiva-ao-sol

Lima AG, Silva AMM, Soares CEC, Souza RAX, Souza MCMR. Fotoexposição solar e fotoproteção de agentes de saúde em município de Minas Gerais. Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2010;12(3):478-82. Available from: http://dx.doi.org/10.5216/ree.v12i3.6156.

http://www.tribunapr.com.br/arquivo/vida-saude/evite-a-exposicao-exagerada-ao-sol/

http://www.tribunapr.com.br/arquivo/vida-saude/fique-de-bem-com-o-sol/

http://www1.inca.gov.br/situacao/arquivos/causalidade_jovens.pdf

 isabel-piatti-03 Isabel Piatti – Profissional Aisthesis. Técnica em Estética. Graduada em Tecnologia de Estética e Imagem Pessoal. Especialista em Cosmetologia. Especialização em Escolas de Estética e Terapias Alternativas na Europa, na área Facial, Corporal e Bem-Estar. Palestrante no VI Congresso Mundial de Medicina Estética da IAAM/ASIME, 2009, em São Paulo. Palestrante no 8° Congresso Internacional de Medicina Estética e Cirurgia Cosmética em Guaiaquil, Equador, em 2011. Palestrante em Congressos de Estética e Cosmetologia pelo Brasil. Diretora de Treinamentos da Buona Vita Cosméticos. Coordenadora do Departamento de P&D da Buona Vita Cosméticos. Consultora técnica de revistas e sites da área de Beleza e Estética. Autora do Livro ‘Biossegurança Estética & Imagem Pessoal – Formalização do Estabelecimento, Exigências da Vigilância Sanitária em Biossegurança’ e   ‘Gestantes: Cuidados Estéticos Durante a Gravidez’. isabel@buonavita.com.br